Domingo, 10 de Julho de 2005

Vítima de acidente com bungee-jump em MG

Era um domingo, dia 3 de julho, 9h da manhã. Cinco jovens se preparam para uma arriscada aventura: saltar de bungee jumping. O local escolhido é uma pontilha ferroviário. O clima é de alegria. No grupo está Letícia Santarém Amaro, 20 anos, estudante de direito. Ela pediu para saltar primeiro. No vídeo que estava sendo feito pelo grupo, Letícia aparece sorridente e acompanha atentamente o trabalho do instrutor Ricardo Nardim. São os últimos momentos de vida da jovem, que se levanta e salta para a morte.

Testemunhas da tragédia não conseguem esquecer o que viram. “Eu fecho os olhos e fico vendo flashes do que aconteceu”, conta Felipe Néri, estudante.

Peritos investigam a causa do acidente. O instrutor Ricardo Nardim pode ser indiciado por homicídio culposo, ou seja, quando não tem a intenção de matar. “Ele imputou a queda e a conseqüente morte de Letícia como falha no equipamento”, diz Nary Simone, advogada.

“Se o defeito for no material, na sua origem, na sua fabricação, não nos parece que ele poderá ser indiciado por homicídio culposo”, afirma o advogado Antônio Caixeta.

A fita que prendia Letícia e que deveria suportar até 2,5 toneladas de peso teria arrebentado. Oficiais do Corpo de Bombeiros, que viram as fitas do acidente, atribuem a tragédia a um desgaste do equipamento, que tinha três meses de uso. “A fita tubular, com os saltos vai desgastando, vai interferindo na resistência da corda, que pode levar ao rompimento”, explica o capitão do Corpo de Bombeiros, Orlando Antônio de Paula.

A ponte tem 50 metros de altura, o equivalente a um prédio de 15 andares. O salto deveria durar 3 segundos a uma velocidade de 100 km/h.

Em nota a Ferrovia Centro-Atlântica, responsável pela segurança da linha férrea onde ocorreu o acidente, informou que não autorizou o grupo a saltar da ponte e que não atenderia, em nenhuma hipótese, a qualquer pedido dessa natureza.

O bungee jumping se tornou popular na Nova Zelândia, no Brasil chegou a cerca de 10 anos, mas ainda não foi regulamentado. “O grande problema que eu vejo é com a quantidade de pessoas que possuem uma experiência pequena, mas que se intitulam instrutores”, aponta o professor de educação física, Guilherme Goulart de Agostini.

O salto estava programado pela empresa Azimute Aventure, que estava aberta há apenas 15 dias. O proprietário é um professor de geografia, que combinou a aventura com o aluno, o irmão de Letícia. “Era para o dono da empresa pular primeiro. Ele chegou e enquanto Ricardo estava conferindo os equipamentos, ele chegou e falou que ia pular primeiro. Mas como não estava pronto ele desceu de rapel, inclusive para conferir o rapel”, declara a advogada da empresa Azimute Adventure, Luciana Bernardelli.

“Deixamos bem claro que quando há algum risco primeiro enchemos uma mochila com algum objeto e lançamos para ver se está tudo ok”, diz o instrutor de bungee jumping, Leandro Borges.

Para Letícia, saltar de bungee jumping era um sonho antigo, que a mãe teimava em não ajudar a realizar. “Eu falava para ela que eu não gostava, falava pra ela não ir, de repente podia ser um pressentimento”, conta Regina Santaren Rodrigues.

“Não tinha nenhum equipamento de segurança lá embaixo, não tinha maca, nem ambulância. O pessoal mostrou que não tem preparo nenhum pra isso”, fala Lineu Santaren Rodrigues, pai de Letícia.

Por causa da morte da jovem, o bungee jumping foi proibido no Triângulo Mineiro. “Quem insistir nesta prática, poderá ser preso em flagrante, ser levado a uma delegacia e ser autuado pelo crime de exposição de perigo. Isso se não resultar em algo mais grave, como aconteceu com Letícia”, alerta o tenente-coronel Hermes Antônio Pereira, do Corpo de Bombeiros de Uberlândia.

Fonte: Fantástico

Abaixo a filmagem feita na hora
do acidente. Clique para assistir.

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